A produção do filme “Al, Alo Amazônia”, representante do Amapá na terceira edição do DOC TV, esteve presente na última expedição do projeto Navegar Amazônia, que visitou as comunidades de Ipixuna Miranda, pertencente ao distrito de Carapanatuba (AP), e São Sebastião e Canivete, localizadas no município de Chaves (PA).
O filme retrata o cotidiano dos ribeirinhos e tem como pano de fundo o programa “Alo, Alo Amazônia”, veiculado pela Rádio Difusora de Macapá e que se tornou um importante veículo de comunicação entre as pessoas que moram no interior do Amapá, principalmente na região das ilhas, e aqueles que moram na capital do estado, Macapá. Acompanhando as mensagens que são veiculadas pela rádio todos os dias, o diretor do documentário Gavin Andrews está registrando histórias interessantes, curiosas, de pessoas simples que habitam as margens dos rios da região amazônica.
“Um dos nossos objetivos é mostrar que o rádio, mesmo com toda a tecnologia que nós conquistamos até então, continua sendo o principal meio de comunicação dessas pessoas. É uma forma de não se sentirem tão isoladas e, ao mesmo tempo, de estarem conectadas com o mundo, com aqueles que eles gostam, mas que, por algum motivo, não podem estar presente no cotidiano dos seus familiares”, explica o documentarista.
As histórias são as mais diversas: preocupação com o meio-ambiente e o futuro da floresta amazônica, amores que estão distantes ou que não foram concretizados, saudades do ente querido, e, até mesmo, a denúncia de como o poder público poderia contribuir para diminuir o isolamento dos ribeirinhos e não o faz. Prover serviços de qualidade para educação e saúde, por exemplo, ainda deixa muito a desejar por parte dos governos estadual e municipal.
Na comunidade de São Sebastião, a escola municipal que pertence ao município de Chaves, no Pará, não tem merenda todos os dias e somente uma professora é responsável por tomar conta de todas as atividades da escola e, ainda, dar aulas para todos os alunos de 1ª a 4ª série. Isso tudo, acredite, ao mesmo tempo. “Além disso, a vacina não chega á comunidade há cinco anos e as pessoas daqui ainda precisam fazer coleta para comprar óleo diesel e abastecer o gerador que fica na escola”, denuncia Gavin.
As manifestações religiosas, que são muito comuns na região das ilhas, também estarão presentes no documentário. A produção registrou a romaria do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que ocorreu no último dia 21, na comunidade de Canivete e que já se tornou uma das principais homenagens á chamada “Padroeira da Amazônia”. A festa dura um pouco mais de vinte dias e atrai visitantes de todas as comunidades próximas a Canivete. Esse foi o último dia da festividade e os moradores encerram com um baile que vai até o sol raiar. “Para quem não conhece a região Norte, o documentário será uma excelente oportunidade para descobrir um mundo novo, ao qual muita gente não está acostumado e nem sonha como seja”, acredita Andrews.




