O Navegar Amazônia aportou na última sexta-feira (20) em Ipixuna Miranda, uma das comunidades que formam o distrito de Carapanatuba, pertencente à capital do Amapá, Macapá, e promoveu um dia intenso de atividades para os alunos da escola municipal da comunidade.
Para as crianças que participaram das atividades promovidas pelo projeto foi um dia inesquecível. “A gente aprendeu várias coisas, mas a melhor mesmo foi conhecer o computador e poder aprender um pouquinho sobre como ele funciona. A nossa escola não tem computador e, aí, a gente não tem a mesma oportunidade das crianças que moram na capital”, afirma a estudante da 6ª série, Edigleuma, de 12 anos, que mora na comunidade da Pedreira, que fica a meia hora, de canoa, da escola.
Mesmo morando há poucas horas de Macapá e estudarem em uma escola que é mantida pela Prefeitura do município, os alunos ainda enfrentam dificuldades para ter um acesso mais democrático á informação e ás novas tecnologias, como o computador, por exemplo. E isso é um dos motivos que contribuem para o isolamento não apenas desses estudantes, mas de toda a comunidade que mora nessa região.
Os alunos reclamam da escassa infra-estrutura da escola, da ausência de uma biblioteca para fazerem pesquisas importantes para os trabalhos escolares e, principalmente, de não terem fácil acesso aos computadores. Além disso, como a escola só funciona até a oitava série, muitos estudantes precisam parar de estudar, pois os pais não têm condições para sustentar os filhos na capital.
Gilmara Fonseca, por exemplo, tem 14 anos, está terminando a 8ª série e quer ser professora, mas terá que ir para Macapá. “Minha família vai fazer um esforço. Quero ser professora para voltar para cá e ensinar as crianças daqui. É muito triste ver alguns amigos meus que pararam de estudar porque não tinham como continuar”, diz a aluna. Ter uma profissão é o sonho dos vários jovens que o projeto Navegar conheceu nessa comunidade, mas é preciso que o poder público contribua para tornar esse sonho em realidade.
“Para as crianças que moram em regiões ribeirinhas como essa, o Navegar tem como missão diminuir essa distancia entre as novas tecnologias e o cidadão, independente do lugar onde mora. O mais importante é saber que essa comunidade também pode estar conectada com o mundo. Basta boa vontade”, explica o coordenador do projeto, Beto Lacerda.




