O primeiro registro cultural do Navegar Amazônia em Laranjal do Jari foi a quermesse na comunidade de São Francisco, na noite de sexta-feira (1º de outubro), com apresentação de dança do grupo da terceira idade, que conta com aproximadamente 20 mulheres do município. Elas dançaram o carimbó, acompanhadas por músicos da terra. O grupo tem apoio do Programa Cidadania da Melhor Idade, cuja coordenadora Osaneide Silva, ao lado da irmã Antonina, é a principal incentivadora. A dança do marabaixo, manifestação típica do Amapá, também compõe o repertório do grupo. As mulheres usam saias longas, estampadas e rodadas. As blusas são de cor branca.
Arlete Fernandes dançarina e compositora
No grupo da Melhor Idade, o projeto encontrou Maria Arlete Fernandes, 59 anos, compositora de marabaixo e samba-enredo. Maria Arlete, junto com a amiga inseparável Raimunda Leal, visitou o Navegar Amazônia e contou um pouco da sua história. Disse que veio do Pará, em 1964, e logo adotou Laranjal do Jari como sua terra natal, porque aqui tive filhos, e agora netos e bisnetos. Arlete está sempre de bom-humor e que por isso é uma pessoa feliz. Deixou gravado em áudio um marabaixo sobre a Ação Global (Ô lê, lê, lê ô, meu povo venha assistir / Eu estou na Ação Global / Em Laranjal do Jari), e um bom samba de enredo que toca no carnaval).
Gilmar Queiroz – poeta, artesão e escultor
Laranjal do Jari tem Academia de Letras (Academia Laranjalense de Letras) e poetas como Gilmar Queiroz, de 28 anos, que só passou a ter o domínio da leitura e da escrita a partir dos 16 anos de idade. Gilmar tem história dramática, quando o pai veio para o Pará e deixou a família à mercê em São Luís do Maranhão, e só voltou dez anos depois. Foi aí que ele foi com o pai para Laranjal do Jari e não saiu mais de lá.
O interesse pela literatura nasce com a leitura de escritores como Machado de Assis, Graça Aranha, Euclides da Cunha, Miguel de Cervantes e Victor Hugo. Sua primeira poesia “Vida na cidade”, fala do cotidiano da vida dura que ele leva. “A minha calça é toda retalhada / Combina com a minha camisa importada / Esse pobre trabalhador que tanto trabalha e não tem nada”, desabafa. “O artista” é uma das suas obras preferidas, cujos versos dizem o seguinte: “O artista em si / Não é mocinho / Nem vilão, é apenas / Protagonista daqueles / que olham o mundo / Com outra visão”. Gilmar é também artesão e escultor.
Movimento cultural na Praça Central
No domingo (2 de outubro), na Praça Central (Agrestes), a comunidade realizou o Movimento Cultural de Laranjal do Jari, com apresentação teatral, toada, dança de rua, hip-hop, expressão gospel, quadrilha junina e exposição de pintura. A Companhia de Teatro Carpêndia, coordenada por Valentim, encenou a peça educativa “Água e lixeiro”, que critica os que não respeitam o meio ambiente e jogam lixo no rio. O grupo Angel do Rap falou de paz no rap que interpretou. Duas telas em óleo, do artista plástico Francisco Costa, mostravam o castanheiro da floresta de Laranjal do Jari, que hoje é referência de vida sustentável para o mundo. O Movimento aconteceu à noite na Praça Central.




