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De volta ao começo. Dez horas da noite do dia primeiro de junho. O Navegar Amazônia ancora no porto da Vila Progresso, a maior comunidade do Arquipélago do Bailique, com uma população estimada em quatro mil e seiscentos habitantes que vive da pesca, apicultura e da agricultura familiar.

Às dez horas da noite a Vila parece dormir, pois não se vê viva alma nas ruas/palafitas desta cidade erguida à beira do Amazonas. Um sossego apenas aparente. É só a tripulação desligar o motor pra gente ouvir o som de um brega rasgado rolando solto na Vila, desanuviando o ar de decepção dos canadenses que queriam colocar a prova os passos do brega estilizado, ensaiados com dedicação.

Descemos com as antenas ligadas e apontando pro rumo de onde vinha a música: o bar da Selma. Uma construção de madeira erguida sobre palafitas, como no resto são todas as construções da comunidade. Antes de chegar à festa, logo passando a ponte que divide Vila Progresso em dois, encontramos um grupo de jovens num animado ensaio de quadrinha no centro comunitário, prenúncio das festas juninas. Os jovens da expedição param para deixar o corpo se balançar ao som da música que cadencia os passos dos dançarinos.

Ao chegarmos ao bar da Selma, este repórter encontra, na casa ao lado, uma amiga de outras expedições. Ela é a Mar, enfermeira do Ministério da Saúde, cedida para a prefeitura de Macapá, lotada em Vila Progresso.

A relação Navegar Amazônia/Mar começa com a enfermeira cedendo sua casa para o grupo de brasileiros e canadenses assistirem às seleções de futebol de seus paises se enfrentarem em jogo histórico, pelo menos para os jovens do Navegar Amazônia, que lotaram os sofás e chão da sala da minha amiga. O jogo terminou três a dois para o Brasil, deixando um clima de celebração entre as torcidas que bem deveria ser seguidas pelas torcidas nos estádios brasileiros.

De alma lavada pela magia do futebol e com o corpo saciado de brega, os jovens da expedição voltam ao Navegar Amazônia para a primeira noite sobre o rio Amazonas.

Chuva, um passeio pelo paraíso e… uma arraia no meio do caminho

Domingo, dois de junho. Uma chuva fina e persistente cortina a paisagem. Brasileiros e canadenses – a maioria destes nunca havia dormido em rede – levantam animados, com suas câmeras e curiosidades a postos. Vila Progresso também levanta pra mais um domingo. Os homens conversam em pequenos grupos espalhados pelas esquinas e comércios; crianças passam por nós apressadas levando o pão para o café da manhã. Saímos para comprar peixe e ficamos sabendo das dificuldades dos pescadores da Vila para conseguir o seu ganha pão de todos os dias.

Mesmo com chuva, mantemos em nossa agenda uma visita à tarde a Reserva Biológica do Parazinho, limite do Amapá com o Oceano Atlântico. Feitos os acertos de lojística com o Luís Gonzaga, técnico da Sema - Secretaria do Meio Ambiente, e nosso guia na visita a Reserva. Foi ele quem nos cedeu mais uma voadeira para poder levar todo o grupo.

A Chuva obrigou os canadenses a se proteger com casacos e capas de chuva, que foram imediatamente jogadas de lado quando pisamos na praia para um jogo de bola inspirado no clássico Brasil e Canadá.

Parazinho é algo surreal. Um cenário composto de árvores mortas sobre uma faixa de areia que se estende por quilômetros, vitimadas pela força do rio que avança para o litoral. E é nessa grande faixa de areia que as tartarugas vêem depositar seus ovos, no mês de setembro, que são recolhidos pelos técnicos da Sema para serem soltos no mês de março, quando os filhotes nascem.

A ilha é abrigo também de centenas de camaleões e várias espécies de aves, como as andorinhas que cobrem os ganhos secos das árvores, como se fossem folhas.

Depois de meia hora de caminhada pela areia e mais uns dez por uma trilha de mata chegamos a sede da Reserva, onde fica o farol de orientação dos cargueiros que por ali fazem rota.


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