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A caminho ao BailiqueO movimento de carros e pessoas no porto do Canal do Jandiá é intenso, como sempre. Gente vendendo, gente comprando. Não passam das nove da manhã e os termômetros já beiram os trinta graus e uma chuva paira ameaçadora sobre nossas cabeças. A bordo do Pasco Nunes as dezessetes pessoas que integram a nova expedição Navegar Amazônia, dez canadenses e seis brasileiros, aguardam ansiosos que a tripulação dê fim aos últimos detalhes da viagem de dezenove dias pelos rios do Amapá e Pará num roteiro que inclui o arquipélago do Bailique, reserva biológica do Parazinho, Curuçá, Barcarena e Belém.

O ineditismo e a ousadia do Navegar em levar cultura e acesso a grande rede às comunidade ribeirinhas do Amapá ganharam volume e reconhecimento nacional, a ponto de, ainda no seu primeiro ano de atuação, ser selecionado para representar a informática pública brasileira na Semana de Tecnologia para Governos, em Otawa, Canadá, em 2001 e no Simpósio-Latino Americano e do Caribe da Educação, Ciência e Cultura na Sociedade da Informação, em Havana, Cuba, em 2002.

Ainda em 2002 o Navegar virou Navegar Amazônia, uma ocip de articulação global com a missão de levar arte e inclusão digital não mais apenas às comunidades ribeirinhas do Amapá, mas para toda a Amazônia, um desafio muito maior para os criativos Beto Lacerda, programador de compatadores e o cineasta Jorge Bodanski, idealizadores do projeto.

Minutos antes da partida, começou a cair uma chuva fina que fez baixar a temperatura, que às onze já passava dos trinta graus. Veio nos desejar boa sorte e batizar os marujos de primeira viagem pelos rios da Amazônia, os sete estudantes de um curso pré-vestibular trazidos de Montreal, convidados pela EcoMaris para interagir com os jovens amazônidas e desta experiência tirar lições para as profissões que irão abraçar. Junto com os canadenses vieram três estudantes de Belém, do curso de Engenharia Florestal da Escola Técnica de Trabalho e Produção do Pará, que desenvolvem agro extrativista na comunidade de Cupuaçu, em Barcarena.

Sob a sinfonia da chuva, a ambientalista Otizete Alencar, assessora técnica do projeto, proferiu palestra para os estudantes, fazendo primeiramente uma explanação sócio-ambiental sobre o canal do Jandiá e da importância dos ecossistemas amazônicos na vida das comunidades ribeirinhas onde o Navegar Amazônia atua. Meia hora antes o ex-governador João Capiberibe havia feito uma explanação sobre o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá, implantado por seu governo no ano de 1998, como política de governo.

As onzes e meia o Navegar Amazônia parte para a sua nona expedição, a primeira internacional junto com a ong canadense EcoMaris, que tem o foco de suas ações na educação dos jovens para as questões sociais e ambientais do planeta, com o objetivo de criar uma geração de consumidores mais conscientes quanto as limitações dos recursos do planeta e da necessidade de uma integração maior entre os diferentes povos para um mundo mais humano.

A chuva nos trouxe sorte, o primeiro trecho da viagem, Macapá-Bailique, que normalmente se faz em doze horas, foi feito pelo Navegar Amazônia em dez horas, que só enfrentou águas mais agitadas na passagem do Pau cavado, na entrada para a Vila Progresso, no Bailique, onde assistimos, brasileiros e canadenses juntos, o jogo Brasil e Canadá. Vitória do Brasil por três a zero.

Quem está no barco

A expedição Navegar Amazônia é composta por vinte pessoas:

4 tripulantes: o comandante, cozinheiro e dois ajudantes;
O coordenador do Navegar Amazônia, Beto Lacerda; o cineasta Gavin Andrews; o assistente de direção e repórter da expedição Manoel do Vale;
Os coordenadores da ONG EcoMaris Annie, Genevieve Laurin e Simon Paquin;
Os 7 estudantes canadenses: Elodie Langlois, 20 anos, que pretende fazer o cursos de Ciências Sociais; Marie-Éve Babieau, 18 anos, que quer fazer teatro; Gabriela Warrions Renaud, 18 anos, Ciências Sociais; Wassin Abau-Tanos, 18 anos, Ciências Sociais; Pascaline Lefebvre, 19 anos, Ciências Sociais; Nhedi Nhebe, 17 anos, Ciências Naturais e Adrian Large, 18 anos, Ciências Sociais.
Os três estudantes brasileiros técnicos em Engenharia Florestal: Adriano silva, Alexandre Fernandez e Luís Felipe, todos de 22 anos.
A caminho ao Bailique


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