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Carlos Minuano – 100canais
Matéria original: http://www.teia2007.com.br/noticias/6617877

Teia 2007O sertão potiguar, a ginga baiana da capoeira angola, a medicina dos indígenas. Diferentes matizes culturais brasileiras, registradas em vídeo e cinema por Pontos de Cultura de todo o país, estarão representadas nas 29 produções que serão exibidas na Mostra Arte Viva, entre os dias 7 e 11 de novembro, na TEIA 2007.

Será possível, por exemplo, mergulhar nas histórias da maior floresta do planeta com a trupe do “Navegar Amazônia”. Concebido pelo cineasta Jorge Bodanzky e José Roberto Lacerda, em 1996, o projeto busca resgatar e fortalecer a cultura das comunidades ribeirinhas da região amazônica por meio de oficinas de inclusão digital, fotografia, edição de vídeo, filmagem e música.

O documentário “Navegar Amazônia – Uma viagem com Jorge Mautner”, com direção de Jorge Bodanzky e Evaldo Mocarzel, que será exibido na mostra, registra uma das várias viagens do grupo ao coração da floresta, a bordo de um barco de madeira tipicamente amazônico, equipado de laboratório com seis computadores, um laptop, câmeras digitais e filmadoras.

Tecnologia, preservação ambiental e música
Durante cerca de vinte dias, em março de 2003, a expedição navegou pela Amazônia promovendo oficinas e encontros musicais inusitados, conta a assessora técnica do projeto, Otizete Alencar. A embarcação saiu do canal de Jandiá, Macapá, em direção a Belém. Junto com equipe do Navegar Amazônia, os músicos Jorge Mautner, Nelson Jacobina e Zé Miguel. “Realizamos um show que teve até rituais indígenas de pajelança”, conta.

Com sede na cidade de Macapá, no momento a equipe aguarda liberação de recursos para a próxima expedição, que deve ocorrer, segundo a assessora, ainda este ano. Selecionado como Pontão de Cultura, o projeto dos navegantes da floresta, que também conta
com o apoio da Cidade do Conhecimento da USP (Universidade de São Paulo), estuda ainda formas de viabilizar geração de renda às comunidades amazônicas e programas de preservação ambiental.

Cinema de índio
Já foi o tempo que os indígenas eram filmados e tinham sua cultura retratada e difundida por não-índios, estrangeiros e todo tipo de pesquisadores. Hoje, de posse das novas tecnologias, com câmera na mão e cocar na cabeça, mostram, eles próprios, sua cultura. A diretora de documentários, Mari Correa, coordenadora do projeto Vídeo nas Aldeias, acompanha esse processo bem de perto.

A ONG, sediada em Olinda (PE) e conveniada como Ponto de Cultura, é um exemplo da autonomia conquistada pelos indígenas por meio do audiovisual. O projeto já existe há vinte anos e conta com uma escola de documentários, produtora e distribuidora para os filmes realizados. “Doamos os equipamentos e acompanhamos o desenvolvimento do trabalho até que eles possam prosseguir sozinhos”, diz a diretora.

Os filmes “Huni Meka, os cantos do cipó” (25 min., 2006, Tadeu Siã e Josias Maná Kaxinawá) sobre os rituais de cura que utilizam a bebida amazônica indígena ayahuasca e “Xinã Bena, novos tempos” (52 min., 2006, Zezinho Yube), que narra o dia-a-dia da aldeia hunikui, de São Joaquim, no rio Jordão, no Estado do Acre, estão entre as produções indígenas selecionadas para a Mostra Arte Viva.

Participam da mostra as produções ” 5×1 transformando com ginga”, do Ponto de Cultura Acervo Audiovisual da Capoeira Angola (BA), “As 100 Horas de Angicos”, Fotografia e Identidade (RN), “Com outros olhos”, Cultura Maria Mulher (RS), “Curta digital PB: novos autores chegam à comunidade”, Urbe Audiovisual, “Dez Passos para o Abismo”, Programa de Inclusão Audiovisual e Digital na Oficiana do Parque (RJ), “Filmes do Arraial”, São José das Culturas (RJ), “Gabi e Edu”, Núcleo de Cultura e Educação dos Povos do Mar (SP), “Lambe-Sujo e Caboclinhos”, Figuras em Trânsito (SE), “Luz de sonhos”, Cinema e Vídeo na Educação (AM), “Mundo & imagem”, Malha Cultural e Cidadania (PR) e a animação “Albertinho” , Animazul (ES), entre outras.


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