Fernanda de Fabre é aluna do curso de Gerenciamento Ambiental da Faculdade de Macapá - FAMA. Junto com 30 companheiros de curso, ela participou da ação promovido pelo Navegar Amazônia em parceria com Oi Futuro como parte do projeto Sustentabilidade Ambiental no Canal do Jandiá. Numa carta aberta, ela compartilha umas reflexões sobre a ação desenvolvida.
Em nossa ação, ocorrida no dia 20 de junho de 2007, percebi sim um público predisposto a uma mudança das condições atuais do canal, o que já de partida é capaz de transformar uma idéia, ou sonho, em um modelo concreto de projeto. É óbvio, que nem todos estão predispostos, encontra-se quando não a recusa total a apatia comum partilhada por toda a sociedade moderna, mas isto apenas demonstra que tem-se um quadro muito comum em qualquer situação independente da localização geográfica e/ou características culturais e econômicas.
Numa preliminar e superficial análise técnica, existe um problema em relação aos resíduos domésticos e comerciais, mas ele se torna mais grave, ambientalmente, no tocante à ocupação e uso da margem do canal, onde o tipo mais freqüente é a ocupação com fins comerciais, que numa visão muito individual, acredito até ser passível de remoção para outro local com a futura recuperação da APP. Considero isto muito importante, pois me parece que a população que reside na área é carente e se existir a possibilidade de recuperação da margem imediata, por exemplo, haverá uma disponibilidade de lazer e provável sucesso em um projeto de educação ambiental pois altera-se a inserção do canal na vida das pessoas. Esta ação direciona-se diretamente ao poder público que deve, dentre suas atribuições, agir como orgão regulador, fiscalizador e promotor de bem estar e qualidade de vida. Com isto, busco que a situação vai além da presença do estado na coleta de lixo, não que esta não deva ser regularizada e melhorada, mas as ações do poder público devem urgentemente serem revistas, principalmente em relação à sua ausência e/ou ineficiência.
A ocupação da área, nos leva ao recorrente processo humano de ocupar as localidades próximas aos cursos d’água, o que não constitui uma particularidade do estado do Amapá, nem apenas do Brasil, é uma realidade mundial e está intimamente ligada aos processos primórdios de organização e ocupação do espaço. O motivo da ocupação constitui uma questão de caráter econômico, caso se desloque o comércio madereiros, haverá aumento de custo e, provavelmente um efeito cascata. Mas é algo possível de ser mensurado e estudado. Outro ponto importante a ser levantado seria: se quem é o dono do comércio e seus trabalhadores residem nas imediações, podendo constituir uma dado muito interessante para o projeto.
O ser humano, por suas características intrínsecas, de comodidade e aceitação, não se propõe a mudanças a menos que seja provado a ele que as mesmas lhe trarão benefícios. Uma ação conjunta com alunos da área ambiental, o pessoal de ciências sociais ( e/ou antropologia), da área da saúde, do direito e outras pertinentes , poderia desenvolver um trabalho que realmente se tornaria positivo pois, quando se trata de meio ambiente é impossível análises a partir de uma visão específica (segmentada), devido ao seu caráter global e essencial à vida.
Devemos, como agentes sociais, além de uma postura ativa perante os problemas ambientais, suscitar a necessidade de ação nas lideranças locais, ou seja, não se tornar intruso na rotina da comunidade mas sim, agente provocador (de ação positiva).
Acredito ser importante um diagnóstico técnico que possa validar um projeto de educação ambiental, se é que é possível separá-la do todo educacional ( desabafo pessoal ! ). Esta ação visaria não cairmos na visão romântica pedagógica, já tão desgastada e corroída, que acaba por tornar excelentes idéias em iniciativas inócuas e sem resultados positivos efetivos, não gostaria de vislumbrar esta possibilidade pois em nosso contato tive uma excelente impressão em relação à equipe e aos projetos que desenvolve. Espero que a parceria com a FAMA possibilite uma ação multi-disciplinar e que leve a mais um sucesso!
A questão da água, da qualidade ambiental dos espaços e da vida, constitui importante eixo de trabalho e, deve, como tal, ser tratado de forma séria e consciente, o que acredito possível através da equipe.
Por fim, agradeço a possibilidade de mais uma experiência e de ter sido tão bem recebida por todos.
P.S.: Me preocupo com o fato da prática estar descolada da teoria, e aqui não estou me referindo à teoria apenas àquela encontrada em livros, mas na sistematização e maturidade de processos. Identifico que as pessoas acreditam na facilidade do processo de execução, o que não considero verdade, e esquecem que bagagem de conhecimento é o que propicia produtos e resultados reais e produtivos. É como se na prática tudo se desenvolvesse com maior facilidade, mas na maioria dos casos, é uma sensação momentânea quando não de auto-engano. A teoria sem a prática é vazia, e o inverso pode se transformar em um desastroso e desestimulante processo para a comunidade. Contudo não deve-se deixar de lado a intuição e a percepção, apenas deve-se utilizá-la de forma racional, consciente e produtiva. Nosso estado - já me sinto daqui - necessita de estímulo e também de melhor estruturação do conhecimento.






