E o Navegar Amazônia com o objetivo de fazer um bom registro do comportamento do ribeirinho sobre a participação da seleção brasileira na Copa do Mundo, foi a um dos mais distantes lugares das influências urbanas em Serraria Pequena. Aproximadamente 30 minutos de Serraria Pequena, na comunidade de Nossa Senhora de Nazaré, o Navegar Amazônia aportou poucos minutos antes do início do jogo do Brasil com a seleção africana de Gana.
Registramos com as nossas câmeras a chegada dos ribeirinhos, vindos de barco de vários lugares para assistir ao jogo. Na residência do seu Raimundo Vicente, um caboclo que mora numa casa simples e humilde de madeira encravada no coração da floresta cercada de açaizeiros, com mulher e 8 filhos pequenos espalhados no assoalho de madeira da casa para assistir a partida, recebia gente da redondeza. Era uma das poucas casas com antena parabólica captando a transmissão do jogo. E foi lá que a equipe do Navegar Amazônia se aconchegou para também acompanhar o jogo. Dona Francisca, mulher do seu Raimundo, é muito crítica com o que ver. E ela nos diz que acha o Ronaldo, como a maioria dos críticos da seleção, muito gordo. Embora ele tenha sido o artilheiro contra o Japão e feito o primeiro gol na seleção africana de Gana.
Encostada na parede da casa, uma jovem com filho pequeno no colo e bandana na cabeça com as cores verde e amarela na cabeça, não desprende os olhos do televisor. E vibra com o gol do Ronaldo logo nos primeiros minutos da partida. Lá fora, o Diogo, um menino de 10 anos, dá uma demonstração de sua habilidade cabocla, subindo num açaizeiro, dispondo apenas de uma peconha nos pés. Peconha, para quem não sabe, é uma peça feita com as próprias folhas da palmeira. Interessante é que os ribeirinhos, reunidos na casa do seu Raimundo, estão bem informados. Com o gol do Ronaldo, eles comemoraram também a artilharia do jogador brasileiro em todas as copas do mundo. Quando a partida termina, os olhos dos ribeirinhos brilham de satisfação. “Brasil, rumo ao hexa, é o que todos nós desejamos e esperamos”, diz seu Raimundo, o anfitrião, com um sorriso aberto, vestido numa camisa da seleção brasileira.






