Estamos chegando ao término de mais uma longa expedição do Navegar Amazônia, este projeto que enche os nossos olhos e os nossos corações de tanta verdade e beleza.
Nós, os argonautas do Navegar, vivemos intensamente uma espécie de fratria, durante estes longos dias de convivência e trabalho. As peculiaridades de cada um, encolheram um pouco, noblesse oblige, para dar lugar a uma coisa nova, maravilhada e comovida que é o encontro com este belo e altivo povo das águas.
Mestre é aquele que de repente aprende, dizia o sábio Guimarães Rosa e o nosso espírito nunca foi o de estar ensinando algo às populações ribeirinhas, mas o de aprender junto, procurando decifrar certos segredos sussurrados pelas folhas, pelas águas, que parecem tão misteriosos, mas que nos ajudarão a compreender melhor o Brasil, de tantos contrastes e dissonâncias.
Ficamos nos perguntando, a toda hora, o que ficou de toda esta vasta experiência, já que de tudo fica um pouco, na mente de cada um de nós. Talvez a maior revelação tenha sido descobrir que a paisagem imponente, as águas vertiginosas não diluem o homem amazônico, pelo contrário, sentimos em cada pessoa que tocamos, em cada rosto entrevisto, uma acentuação das qualidades mais essenciais no ser humano: humanidade, dignidade, senso moral, resistência.
Desde Belém eu já intuira isso, ao ver a energia vital do Jorge Mautner contrastando com o vigor já esmaecido de Mestre Verequete que, não por acaso, aparece nas fotos (uma ilusão de ótica?) com uma espécie de coroa, quando na realidade (será que existe a realidade?) estava com um mero chapéu escuro.
Talvez por efeito das águas, que nos cercam permanentemente, chorei muito, chorei demais, um choro fundo e comovido, de pura emoção e maravilhamento nestes meus dias e noites amazônicos.
As fotos, os filmes, as gravações vão nos devolver um pouco da magia vivida, atenuando as saudades e trazendo de volta talvez a experiência compartilhada. Mas eu quero mais: quero rever cada gentil pessoa que conheci e que tanto me comoveram em Tauerá-açu.
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Principalmente, quero voltar para abraçar e beijar as nove menininhas lindas que não me largaram um minuto, durante os dois dias em que lá estivemos e que em nada diferem em alegria e beleza de minhas netinhas paulistanas, Carolina e Manuela. A Aelen, de Tauerá-açu, por que se parece tanto, em sua calma beleza com a minha Letícia, da mesma idade, lá na Bahia?
Mistérios sempre hão de pintar por aí…
O Navegar Amazônia é uma festa móvel, que nos acompanhará sempre, onde quer que estejamos. É pura delícia poder fazer parte dele.






