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O mais difícil nesta expedição que absorve e irradia instantaneamente tudo o que é captado para todo o planeta pela eletrônica, é conter as lágrimas da emoção que a todo momento querem aparecer por causa da magnitude de beleza e ternura que de mim se apoderam. Mas tenho que conter estas lágrimas, pois, caso contrário, não consigo falar nem cantar.

Este barco “Navegar Amazônia” é o barco dos sonhos, da poesia concretizada. Ele capta e transmite informações amalgamadas com emoções e desvelamento de mistérios.
A paisagem é constituída de pedaços de sonhos, miragens poéticas, visões e aparições que já habitam nosso inconsciente. Mas ao ver que estas paisagens que habitam nossos sonhos e premonições aparecem com mais veemência e densidade, ainda quando as vemos concretizadas, ficamos sempre imbuídos de espanto, daquela espécie de espanto que é sempre também maravilha!

Contudo, não vou falar deste espanto-maravilha que é despertado por estas paisagens de mistério da floresta verde-esmeralda, porque as fotografias e as imagens filmadas falam por si. Usarei este espaço para falar da beleza suprema das pessoas que constituem esta expedição da cultura, daquelas que vieram neste barco e das pessoas que encontramos habitando estes lugares que visitamos.

Em primeiro lugar Marcia Bodanzky e Jorge Bodanzky. Ela é uma pessoa cuja alma foi forjada por intensa leitura e literatura, assim como o seu esposo Jorge, diretor de cinema muitas vezes premiado e consagrado, são a metáfora da expedição que lideram: democráticos, abertos a todas as sugestões, solicitando sugestões, inclinando-se sempre para onde seus interlocutores o desejarem, mais do que atenciosos, são o exemplo do humanismo em plenitude, atentos à permanente descoberta do outro, dos outros, demonstrando em todas as ocasiões estarem de braços e alma abertos em receptividade permanente e irradiante ternura.

A liderança da expedição é também dividida com José Roberto Lacerda, que nasceu na Amazônia, em Macapá, e que tem atrás de si longa experiência política, sempre voltada para a cultura, um entusiasta e idealista que consegue resolver os inesperados problemas que acontecem com seu sorriso que irradia otimismo e intensa solidariedade humana.

Juntando-se a eles, na organização e direção, temos a figura fulgurante de Célia Maracajá, atriz, ativista e agitadora cultural que, ao lado do jovem ator de Belém do Pará, Emanuell Souza, sem esquecer a Lina (Maria Orvalina Cardoso), foram peças essenciais para o sucesso do Navegar Amazônia em sua primeira investida desde o início da viagem, de Macapá até Belém, e daí atingir a cidade ribeirinha de Abaetetuba e as populações situadas nas ilhas vizinhas do grande rio-mar, que constituem as comunidades quilombolas, descendentes dos Quilombos, que foram a antevisão e a preparação para a Independência do Brasil.

Eu e Nelson Jacobina (que atualmente também é maestro e um dos elementos fundamentais da Orquestra Imperial do Rio de Janeiro), ao lado do magnífico cantor e compositor amapaense Zé Miguel, fomos os responsáveis por oficinas e várias apresentações musicais. Zé Miguel é um artista formidável, cantor e compositor de sagas amazônicas, possui um tom universal e fervoroso, assim como abrangente, e nós três juntos, parecíamos já nos conhecer há milênios, com um resultado impressionante, tanto na didática quanto na sedução das músicas.

Gostaria de salientar as oficinas de arte ministradas pelo Dario Chiaverini, que tanto nos comoveram, pelo alto nível dos conteúdos, a sensibilidade na abordagem. Era de indescritível emoção ver os jovens ribeirinhos analisando a fina beleza de Nefertite, as cabeças inclinadas das mulheres de Modigliani.

Há experiências que são revolucionárias em nossas vidas, outras que nos reportam a paisagens e situações vistas e vividas (quando? onde?). O Navegar Amazônia é uma experiência assim, para todos nós que participamos dela, incluindo ainda os parceiros convidados Evaldo Mocarzel (cineasta), Gilson Schwartz (diretor do projeto Cidade do Conhecimento-USP) e Mario Miranda (fotógrafo); o operador de câmera Hélio Furtado e os assistentes de oficinas Manoel de Jesus e Agatha Farias; a tripulação do Navegar Amazônia composta por Pedro Borralho (comandante da embarcação), Orlando Freitas (marinheiro prático), os irmãos Elielson (operador de máquinas) e Eliilson Lobato (auxiliar de convés) e Ana Maria Campos (responsável pela alimentação); a equipe permanente do Navegar Amazônia que tem Otizete de Alencar (presidente), Luis Banha (coordenador administrativo), Marck Lane Metzker (coordenadora operacional), Gavin Andrews (cineasta e webmaster), Aroldo Pedrosa (agente cultural, jornalista e poeta), Airá Santana (agente cultural e arte educador), Ézio Cerqueira (técnico operacional) e Clay Sam (técnico de som).

Doravante, estaremos permanentemente unidos, porque juntos compartilhamos este rito de passagem, com sua magia e encantamento. Inventar outros projetos, para novas oportunidades de encontro, é mera questão de tempo.


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