Jornal O Liberal | Cartaz:
Belém, Quinta, 09/03/06
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As oficinas de música, fotografia, história da arte, cinema e vídeo documentário, oferecidas pelo projeto Navegar Amazônia, começaram ontem, nas localidades de Tauer-açu e Itacoã, município de Abaetetuba. A embarcação do projeto chegou ao município na tarde da última segunda-feira e as oficinas, que estavam programadas para começar ontem de manhã, foram transferidas para a tarde, por conta do atraso.
De acordo com Aroldo Pedrosa, integrante do Navegar Amazônia, a recepção do público de Abaetetuba foi bastante calorosa e contou até com uma bandinha de música tocando no trapiche. Segundo Pedrosa, os coordenadores do projeto, Jorge Bodanzky e Beto Lacerda, usando o sistema de som do barco, agradeceram os cumprimentos e a recepção calorosa do povo abaetetubense. “Estamos todos muito felizes de estar aqui com o Navegar Amazônia e a nossa equipe de 25 pessoas, para ministrar as oficinas de música, cinema, fotografia e história da arte. Esperamos, junto com o público, realizar um bom trabalho”, salientou.
Além das oficinas, o Navegar Amazônia pretende começar, em Abaetetuba, a construção inédita na região de conteúdos de telefonia celular com base em sons e imagens da vida amazônica. O projeto é fruto de uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) Cidade do Conhecimento e viabilizará a capacitação de pessoas do Navegar para desenvolver conteúdos de telefonia celular. Esses conteúdos abrangem campainhas com sons da floresta, com instrumentos musicais típicos e melodias da região. Outra frente de trabalho será os wallpapers com imagens criadas por pessoas de comunidades da região, além de vídeos, historinhas, ruídos de animais e outros. Aroldo informa que a construção de conteúdos para celulares é desenvolvida pelo professor Wilson Schwartz, da USP. Em Abaetetuba, o projeto vai à comunidade quilombola Tauera-açu para aprofundar a produção do artesanato de miriti.
Prefeito - O diário de bordo mantido pelo projeto em sua página oficial na Internet (http://navegaramazonia.org.br/) registrou ontem a visita do prefeito de Abaetetuba Luiz Lopes (PT), que conheceu a equipe e as instalações do barco e ouviu de Jorge Bodanzky que projeto está em Abaetetuba para uma troca de saberes e citou a presença do professor Gilson Scwhartz, da USP. “A experiência, além de ser absolutamente nova, vai permitir que as comunidades gerem conteúdo para a telefonia celular e recursos, e é isso que pretendemos devolver para a região”. Sobre o projeto e a atuação da equipe, a explicação ficou por conta do coordenador Beto Lacerda: “O Navegar Amazônia é um projeto de tecnologia e comunicação, composto por uma equipe permanente de antropólogo, jornalista, fotógrafos, cineastas e técnicos de informática, onde, conforme a nossa expedição, agregamos convidados com know-how para participar também das nossas atividades”.
O prefeito Luiz Lopes agradeceu e disse que o projeto encontrará em Abaetetuba um povo alegre e criativo, que faz um malabarismo das suas situações mais críticas. “Uma visita como esta abre novas possibilidades do município ser visto no mundo e receber as maiores contribuições possíveis, que possam suprir as nossas dificuldades”. E finalizou frisando que “o potencial cultural de Abaetetuba, como de qualquer outro lugar nesse processo democrático, não há como desenvolvê-lo sem parcerias”. Luiz Lopes se despediu dando boas-vindas ao projeto e cordialmente desejou: “Sintam-se em casa”.
A equipe permanece em Abaetetuba durante 15 dias. O Navegar Amazônia conta com um laboratório multimídia a bordo, com dez computadores e capacidade até para editar vídeos, cinco câmeras digitais, scanner, impressora. Em sua fase no Pará, o projeto tem apoio da Fumbel, Valeverde Turismo, Prefeitura de Abaetetuba, Petrobrás e restaurante JB Porto.






