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Matéria escrito por Fernando França no jornal Folha do Amapá http://www.folhadoamapa.com.br

Navegar pela Amazônia é entrar num mundo desconhecido, principalmente se o viajante for um vagabundo de olhar aguçado e estiver a bordo de uma nave cuja missão pelo espaço amazônico é a inclusão digital dos curumins e caboclos que habitam as cidades e os vilarejos da beiras de rios da região. Mais ainda se este vagabundo desurbanizar a alma e levar nas mãos a mira potente de lentes fotográficas para mostrar ao mundo o que é que a Amazônia tem. Foi assim que o fotógrafo brasileiro naturalizado norte-americano, Jorge Vismara, fez um breve registro de Macapá:

— Foi preciso me desurbanizar para compreender o que é a Amazônia — diz ele, a bordo do Navegar Amazônia, projeto que chamou sua atenção por colocar, através de um barco com alta tecnologia, a cultura amazônica e seu povo na rede mundial de computadores de forma como nunca fora feito antes:

— Fiquei impressionado como um piloto do barco consegue se orientar naquela escuridão do rio. Então isso define o aprendizado de cada povo — completa.

Vismara — que se define como um vagabundo no sentido americano da palavra, ou seja, um conhecedor de mundos — jamais havia pisado no solo da Amazônia e acreditava que a floresta engolia a cidade proporcionando sombra e água fresca. Decepcionou-se. As capitais na Amazônia não são um paraíso. Porém, logo em seguida voltou a encantar-se quando foi tomando contato pouco a pouco com a realidade de um povo humilde e cheio de vida.

E a cada contato com o desconhecido mundo disparava sua máquina em direção às curiosidades tão comuns para os habitantes da região. Fez os registros do Igarapé da Fortaleza, um dos principais portos de desembarque de mercadorias no Estado; fotografou o Igarapé das Pedrinhas, por onde chegam as madeiras que abastecem as construções da cidade; viajou pelas belezas do Curiaú, comunidade quilombola que vive da agricultura de subsistência e turismo; fez imagens belíssimas da área de reserva ambiental Ekinox, na Fazendinha.

Apesar de poucos os lugares registrados nunca um trabalho fotográfico sobre tais pontos foi tão diferente e marcante quanto o de Vismara, mostrando através da máquina o que os olhos de uma pessoa não conseguem enxergar.

Antes de vir para a Amazônia, Jorge Vismara, um ex-consultor de informática, passou por 45 países registrando a diversidade cultural do planeta:

— Não fotografo somente futebol e bundinha. Gosto de mostrar a vida das comunidades e como elas se relacionam com o rio aqui na Amazônia, por exemplo. Pois a vida urbana é distante do rio. Nas comunidades da Amazônia o rio não está separado através de uma ponte. É parte da vida daqueles homens — conta, enquanto lembra que todo o seu trabalho fotográfico sofreu forte influência quando passou por Bali (Índia) e teve contato com um povo pobre materialmente, mas muito rico espiritualmente e com um infinito domínio da arte, o que considera a ferramenta da alma, dos sentidos humanos. E toda intensidade transferiu para o seu trabalho o que lhe proporciona focar um outro olhar sobre a pluralidade cultural do mundo.

Mas foi em Serraria Pequena, uma comunidade do município paraense Afuá, distante seis horas de barco de Macapá, que Vismara se encantou ainda mais com a Amazônia. Lá registrou o círio fluvial em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Vila de Nazaré, e a sedução de dez estudantes portuguesas, do Instituto de Psicologia Aplicada de Lisboa (Portugal), que se encontram na região desenvolvendo monografias para a conclusão de seus cursos.

Todo o trabalho de Jorge Vismara, inclusive o realizado em Macapá, pode ser visto pelo site www.jorgevismara.net

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O fotógrafo Jorge Vismara revela ao mundo o que é que a Amazônia tem

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