A vida vem em ondas, como o mar, dizia o Lulu Santos, ou como o rio, completaria eu, depois de conhecer o Amazonas…
Tantos dias sem poder escrever, pelas viagens, os deslocamentos, mas principalmente o empenho que o Navegar exige de mim e do Jorge. Depois da viagem inaugural tivemos que ficar em Brasília, lutando pela continuidade do Projeto. Navegar é preciso, mas viver também é preciso…
Hoje, finalmente, encontro a pausa necessária para retomar os meus pequenos textos.
É meio-dia, estou em Angra dos Reis , num dia cinzento, frio. Que contraste com a quente Amazônia! Apenas uma coincidência: sempre a presença da água em minha vida, nos últimos tempos.
A aventura no Navegar ainda muito nítida em minha retina, em meu coração, bem como a vontade de permanecer em Afuá, com suas ruas calmas e a sabedoria e gentileza de sua gente.
O mês de agosto foi de muita tristeza para mim: perdi a minha mãe, uma linda e doce filha de imigrantes italianos que povoou minha infância de risos e cantos. Nos últimos tempos ela me chamava de mamãe e , numa terna inversão, foi exatamente assim que me senti quando ela abandonou este efêmero mundo: como alguém que perde um filho muito e muito querido.
A viagem do Navegar veio logo depois desse acontecimento e me tirou de uma melancolia profunda, enchendo-me outra vez de alegria e paixão. A vida e o mar, (ou o rio), em ondas, essa alternância.
Não vejo a hora de voltar. Embora tenha aprendido com Heráclito que não se entra duas vezes no mesmo rio, quero voltar ao Amazonas, revisitar Macapá, Afuá, Araramã…. Sei que o rio que passa não será o mesmo, como eu também não sou a mesma, a cada momento vivido, mas quero voltar…
Encharcar minha alma com a profusa umidade da floresta, maravilhar meus olhos com mil nuances de verde verde, que te quero verde!-, mergulhando todo o meu ser nesse rio que, como a vida, é profundo, insondável!






