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TT Catalão

image Piedade (fotos), a beleza negra do grupo de dança Baracá (vindas do Laguinho, primeiro bairro quilombola de Macapá) encerrou a apresentação do batuque com um discurso que soou como benção para o barco do Projeto Navegar: “nossa dança é secular e ela nos mantém vivos, orgulhosos e cheios de força”. Tudo isso no tom da altivez legitimada pela dignidade, muito diferente da arrogância. Um belo conceito para um barco que trabalha no respeito ao tradicional (sem cultuar o passado) e projeta o futuro, pela tecnologia e mídias autônomas e pessoais (sem idolatrar o moderno).

Ao som das moças (“aonde tu vai rapaz, por esse caminho sozinho, vou fazer minha morada lá nos campos do Laguinho”) o Projeto Navegar iniciava sua segunda fase com ares de retomada e o mesmo propósito de tornar a tecnologia ferramenta dócil, a favor da expressão dos que têm voz, mas não recebem eco; têm imagem, mas não aparecem com a devida visibilidade cidadã.

Agora, o barco parte como Ponto de Cultura móvel do Ministério da Cultura (foto). Lançado nas águas no emblemático 5 de setembro (Dia Mundial da Amazônia). O Projeto, criado em 1996, por José Roberto Lacerda Lacerda e o cineasta Jorge Bodanzky, integrava o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá-PDSA, do Governo João Capiberibe e fez sua primeira expedição ao arquipélago do Bailique, no extremo leste do Estado. Em 2002, as maresias da política sacodem o Projeto e desmontam o trabalho.

Um novo grupo se estrutura como OSCIP-Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Bodanzky e a presidente Otizete Alencar sensibilizam o MinC e renascem componentes do projeto Ponto de Cultura da Secretaria de Programa e Projetos Culturais do historiador Célio Turino.

Novo barco, maior, metas ampliadas. Consciência mais profunda nessa ligação básica entre meio ambiente, arte, tecnologia, comunicação, informação e a cultura reconhecida em sua essência: aquela feita por quem vive e proclama o seu jeito especial de existir e se relacionar.
Novo parto: cada pessoa é um porto onde se dá e recebe. Onde se troca. Cada comunidade um portal. A rede, onde se deita para o amor e o descanso, pode virar rede virtual de armar caminhos, articular, fazer conexões. A magnífica soberania do rio recebe esta casquinha de madeira cheia de idéias e antenas. As ilhas da região encontram ligação. Os pontos culturais do rio acham linhas. O primeiro ponto é Afuá, depois virão o Arquipélago do Bailique, os municípios de Abaetetuba (PA) e Laranjal do Jari (AP).

Barco, laboratório e programas

O laboratório (foto) foi instalado na parte superior do barco, isolado e refrigerado que necessita de um gerador de energia trifásico de 12,5 KVA específico só para ele. O setor tem capacidade para até dez computadores desktop e um laptop, ligados em rede, scanner, web câmeras, câmeras digitais, filmadoras e impressoras, permitirá que o sistema envie e receba sinais de voz, imagem e dados através da tecnologia adquirida em parceria com o Ministério das Comunicações (Programa GESAC ), com um Link de 2Mb, permitindo inclusive a geração de programas em tecnologia vídeo sobre IP.

A TV Navegar Amazônia terá uma programação a ser distribuída através de parcerias estabelecidas com a TVE, o Programa DOC TV da Secretaria do Áudio Visual do MINC, da MultRio, da TV Escola do MEC, do Canal Futura e da TV Cultura, todos já contatados e com interesse em exibir os conteúdos gerados pela TV Navegar Amazônia.

Os próprios ribeirinhos serão os personagens principais dos programas e os principais editores e produtores do material veiculado. A capacitação ficará por conta de voluntários internacionais inscritos através da Iko-Poran, uma instituição de voluntários do mundo todo que atuam em projetos do Brasil. Esses voluntários realizarão atividades relacionadas à cultura, informática e tecnologia ensinando a elaboração de home page e produção de vídeo. Isto em uma região onde o rádio reina como única possibilidade de transmissão e recebimento de notícias e educação. Tanto que um Ponto de Cultura em vias de ser conveniado pelo MINC, com base no Grupo de Trabalho da Amazônia -GTA pretende expandir a rede de comunicação com oficinas de capacitação e treinamento para repórteres comunitários da região. Trabalho que deve se articular profundamente com o Navegar tal a


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