- Folha do Amapá - 05/08/2005
Voltar a navegar pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia, só que agora proporcionando a essa gente oportunidades que vão além da inclusão digital é o novo objetivo do Projeto Navegar Amazônia, que será novamente executado depois de ficar quase três anos parado e agora ultrapassa as fronteiras do Amapá.
Idealizado em 1996 por José Roberto Lacerda, programador de sistemas, e pelo cineasta Jorge Bodansky, o Projeto Navegar foi interrompido após uma avaliação baseada no novo cenário político e na alternância de governo da época. Optou-se, então, em transformar o Navegar em uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, uma Oscip, o que lhe permitiria alçar vôos mais altos.
O resultado é um projeto com dimensões muito maiores e que pretende trabalhar junto às comunidades selecionadas a oportunidade de mostrar, através das tecnologias disponíveis no barco, suas manifestações culturais, artesanato, danças e outras particularidades de cada grupo.
O barco do Navegar possui características regionais típicas das embarcações que navegam pela Região Norte. Todo construído em madeira, possui três pavimentos que acomodarão alojamentos, refeitório e um moderno laboratório refrigerado onde serão instalados sete computadores, scanner, câmeras digitais, web câmeras, filmadoras e impressoras, permitindo que o sistema envie e receba sinais de voz, imagens e dados através de um link de 2 Gb.
Pontos de cultura - Uma parceria articulada por Paulo Bodansky entre o Navegar e o Ministério da Cultura, através do programa Cultura Viva, prevê a implantação de pontos de cultura que implementarão ações como a TV Navegar Amazônia, que irá gerar conteúdos para as TVs Cultura, TVE, Doc TV e outras.
Serão os próprios ribeirinhos os personagens principais dos programas e os responsáveis por toda a produção do material. A capacitação ficará por conta de voluntários internacionais inscritos através da Iko-Poran, uma instituição de voluntários do mundo todo que atuam em projetos do Brasil. Esses voluntários realizarão atividades relacionadas à cultura, informática e tecnologia ensinando a elaboração de home page, produção de vídeo e várias outras atividades:
- A nossa intenção é contribuir com o desenvolvimento humano e inserir esses ribeirinhos na sociedade da informação e do conhecimento. Procuramos também atrair parceiros locais, já que o Navegar abre um leque de opções muito grande. Pode-se trabalhar, por exemplo, a Educação Ambiental através dos órgãos competentes. Mostrar o uso da tecnologia para alunos de faculdades de informática. Impulsionar o turismo através dos programas de TV que exibirão as manifestações culturais dessas localidades e também estamos abertos a agregar outras atividades - ressalta Roberto Lacerda, coordenador-geral do programa.
O primeiro ponto de cultura ainda está sendo definido entre o município paraense de Afuá, por ser estrategicamente mais próximo e já possuir acesso à internet, e o Arquipélago do Bailique, por ser a primeira comunidade onde Navegar atuou. A viagem está prevista para o início do mês de setembro e levará a bordo aproximadamente 15 pessoas, entre técnicos operacionais, agentes culturais e voluntários com habilidades específicas.
Além de Afuá e do Arquipélago do Bailique, os municípios de Abaetetuba (PA) e Laranjal do Jari (AP) já foram selecionados e serão contemplados pelo projeto.
Projeção nacional e internacional
A primeira viagem realizada pelo Projeto Navegar aconteceu em agosto de 2000, tendo como primeiro destino as comunidades do Arquipélago do Bailique. A intenção do projeto era proporcionar para comunidades ribeirinhas a inclusão digital, resgate e prospecção cultural.
Por ser um projeto inovador, pioneiro e ousado, o Projeto Navegar ganhou projeção nacional e internacional tendo destaque em programas de TV como Globo Repórter e Bom Dia Brasil. Felizmente o objetivo do Navegar era uma das propostas de governo do PDSA. E João Alberto Capiberibe, governador do Estado na época, tornou-se o maior entusiasta do projeto dando total apoio à equipe através do órgão de Processamento de Dados - Prodap, o que viabilizou a compra do barco e dos equipamentos de tecnologia e informática.
No Canadá o projeto que mais chamou a atenção da comunidade internacional foi o Navegar, o que lhe rendeu a sexta colocação entre as melhores experiências de informática pública do mundo, sendo o único selecionado a participar do Simpósio Latino-Americano de Cultura e Educação - Simplac, que acontece no Caribe. Porém, o projeto foi interrompido quando o novo governo assumiu o Estado e foi obrigado a parar:
- No início de 2002 - lembra e lamenta Roberto Lacerda.






